sexta-feira, dezembro 24, 2004

Troquei a casa vazia de ontem por conversas existencialistas na cozinha, hoje, o que considero sobretudo inesperado – e momentaneamente animador.
Na verdade, só a idéia de sair um pouco daqui já torna os dias que se seguem mais alegres - tão fácil mudar as perspectivas depois que resolvi deixar a cidade em uma viagem relâmpago! Decidi deixar qualquer constatação para mais tarde e embarco rumo ao regaço familiar, permeado de conforto acolhedor, embora inevitavelmente distante. Vou assim para a terra onde penso menos, ambiciono menos e, no entanto, sublimo meu olhar tornando-o, uma vez mais, sensível ao que me cerca, no simples e ancestral entendimento que me aproxima da real dimensão de minhas dificuldades.
Há aqui um poema enorme e bonito, embora melancólico, que gostaria de compartilhar mas deixo para outra oportunidade, caso contrário esse blog desandaria de vez, necessitado que está de um contraponto para os excessos do dia anterior.
Ficam, então, outros versos - de força, simples e poderosos - mantendo suspensa a minha volta:

“... os que esperam, os que perdem
o motivo, os que emudecem,
os que ignoram, os que ocultam
a dor, os que desfalecem

os que continuam, os
que duvidam... Coração,
Afirma, afirma e te abrasa
Pelas milícias do não!”

Mário de Andrade, em Lira Paulistana

2 comentários:

patsy disse...

Fábio, ainda bem que você colocou um post mais leve antes de viajar, pq os dois últimos...nossa...sei nem o q dizer, fiquei sem fôlego quando os li.. =P


mas já que não falei nada nos posts anteriores, aqui vai um pequeno comentário que não posso deixar passar: coisa séria esse povo que tem um domínio absurdo da escrita e faz uso das palavras pra nos comover no mais fundo da alma :)

bjão!!

Guga disse...

Quando eu for grande e inteiro, quero chegar perto de vocês dois... hehehehe