terça-feira, novembro 11, 2008

observações impertinentes de viagem

Assim que eu cheguei aqui nos "alpes" - meu lugar de recolhimento e descanso no coração do nordeste -, o taxista que sempre me leva até a casa dos meus pais fez um par de comentários sobre os ânimos que pairam sobre a cidade. Primeiro é que o atual prefeito estava fazendo uma espécie de queima de estoque, vendendo tudo o que tinha para ser vendido na cidade antes de largar o osso, no próximo janeiro. Mas deixemos a política um pouco de lado, porque a outra observação foi bem mais desesperadora. Toinho - juro que esse é o nome do taxista, ou melhor, apelido, e nem adianta fugir da intimidade porque todo mundo chama ele assim e seria um despropósito ou uma petulância chegar dizendo "Olá, senhor Antônio" -, enfim, Toinho disse:

- Aqui quando é mais tarde tá fazendo um calor, mas um calor que a gente pensa que vai é incendiar o mundo.

Considerando-se que eram apenas seis e meia da manhã e o sol já estava queimando, eu não ousei duvidar. Em casa, minha mãe confirmou logo a informação: a temperatura estava lascando. O bom é que, se da última vez os mosquitos não davam trégua, desta vez eles tinham simplesmente desaparecido e o meu repelente não ia ser necessário. Sintam o drama: nem os mosquitos aguentaram o calor.

**

A viagem ainda nem terminou mas o auge de tudo foi mesmo o evento religioso do último domingo. Lá estava eu entre familiares e diante da foto do Ratzinger, acompanhando meio desconsolado toda a burocracia infernal que significa realizar o batizado de uma criança, cumprir esse rito ancestral da tradição cristã que, pelo sim ou pelo não, as pessoas vão mantendo.

(Só para constar, informo que os pais e padrinhos precisam ter um cartão, que atesta a realização de um tal curso de batizado - nem me peçam para entrar em detalhes (!) - e o preenchimento da papelada relacionada a esse curso é a apoteose de tudo, ritual muito mais extenso e mobilizador que o instante mesmo da agüinha na cabeça da criança).

Alternando-me entre as funções de padrinho e fotógrafo - nos meus malabarismos colocava a mão na fronte de Davi e era um flash, a madrinha trazia a vela acesa e era outro flash - no final ainda pude observar os detalhes menos eloqüentes do evento. O total pago à igreja foi de 22,00, estando aí incluída uma singela lembracinha no valor de 2,00. Esse dia foi pouco agitado, houve apenas três batizados (esqueci de dizer que a cerimônia é coletiva). Ao final, o padre chama o nome de duas crianças - Davi incluído - e entrega aos respectivos pais a lembrança. Quanto ao terceiro, nada. Não foi difícil concluir que o último casal não havia pago os dois reais correspondentes a esse pequeno atestado de cristandade, e não foi também sem certa melancolia que eu pude testemunhar essa discreta mesquinhez de uma instituição que, em seus maiores tons, já se mostra tão reprovável.

Acabou sendo tudo muito simbólico, essa divisão de títulos escritos em letras douradas sobre papéis de temas infantis, exemplificando em diminuto a orientação tão equivocada - financeiramente pautada - de uma instituição que se diz sensível aos que acolhe. Por reles dois reais, um tanto de ostentação e constrangimento. Minha mãe ainda se perguntou, contrariada, porque então não se preferiu ao menos entregar essa lembrança no momento mais reservado destinado à conferência dos papéis e documentos de cada casal de pais e padrinhos. Mas tinha que ser tudo assim, no meio da cerimônia, muito sutilmente exposto, afinal é exatamente disso que se trata a instituição católica: até nos mais pequenos detalhes, um infinito jogo de ostentação e constrangimento.

3 comentários:

Anônimo disse...

se é novembro e tá assim, quero nem pensar o que os mosquitos väo fazer em janeiro...

Anônimo disse...

my love,

fico feliz em saber notícias sua...e que o retido ou melhor, o spa engordeit vai de vento em poupa!

sobre o calor.. teu sobrinho não tem aquelas piscinas de plasticos não? é.. tem horas que vem a calhar! ( e caso venha usar... não precisar comentar nao.. fica em off mesmo)

bem , sobre a igreja... aiai... é melhor nem comentar nada... jaja kesita desiste de vez de acreditar em Deus!

xero baby

ps: não vou mais pra rave.... sem companhia! :S

Anônimo disse...

Apocalypse Now!!!!