segunda-feira, fevereiro 25, 2008

sabino

"Não me permitia ler senão com os cotovelos fincados na mesa, rabiscando o livro todo, anotando tudo. Tinha de ler do princípio ao fim. Até hoje sinto complexo de culpa quando salto uma página. Houve época em que lia, estudava Direito, lecionava português no colégio do pai de Otto Lara Resende, dava aula particular de taquigrafia, trabalhava numa repartição pública e num jornal, e ainda sobrava tempo para namorar e para o chope com os amigos. Tinha instrução no CPOR toda manhã, às seis horas, não podia faltar. Às vezes já saía à noite fardado e ia direto do bar para a instituição. Naquele tempo o dia tinha 48 horas.

Passei a tomar emprestado cinco livros por semana com o Etienne - João Etienne Filho, escritor e jornalista mineiro, que me iniciou na literatura brasileira. Assumi comigo o compromisso de ler um livro por dia. Lia durante horas seguidas, em casa ou na Biblioteca Pública. E até mesmo em plena rua: andava de livro aberto diante do nariz. Volta e meia chegava com um galo na testa, porque ia lendo pelo caminho e dava com a cabeça num poste. Em Belo Horizonte havia muito poste na rua".

Fernando Sabino, O tabuleiro de damas

3 comentários:

lavis disse...

My love,

uauuuuu como ele conseguia fazer tudo isso?! acho q foi sonho!
aiai
acredito que precisamos organizar melhor o tempo...

xero pa tu

Beto Efrem disse...

que inveja dele..

fabio disse...

né? :D